
Um caso que impressionou investigadores e chegou aos tribunais da Bahia voltou a repercutir após a divulgação de novos detalhes da investigação. O servidor público Vanderley dos Santos Gomes, lotado no município de Amélia Rodrigues, foi condenado pela Justiça após amputar o próprio pé em uma tentativa de receber aproximadamente R$ 1,5 milhão em indenizações de seguros.
Segundo o processo, o servidor contratou quatro seguros de vida e acidentes pessoais entre junho e julho de 2019. Poucas semanas depois, procurou as autoridades alegando ter sido vítima de um assalto seguido de sequestro na zona rural de São Gonçalo dos Campos. De acordo com o relato apresentado à Polícia Civil, ele teria sido abordado por homens armados, agredido e levado para uma estrada de terra, onde os criminosos teriam amputado seu pé e fugido levando seus pertences.
A versão, entretanto, começou a ruir ainda durante as primeiras diligências. Um dos principais elementos que levantaram suspeitas foi a descoberta do pé amputado dentro da mochila do próprio servidor, localizada a cerca de 350 metros do local onde ele foi socorrido. Dentro da mesma bolsa também estavam o celular, o relógio e outros objetos que Vanderley havia afirmado terem sido roubados pelos supostos assaltantes.
As investigações apontaram ainda diversas inconsistências no depoimento prestado pelo servidor. Os investigadores não encontraram indícios da existência dos supostos sequestradores e consideraram pouco plausível a narrativa de um sequestro seguido de amputação sem pedido de resgate ou qualquer outra motivação aparente. Além disso, chamou a atenção da Justiça o fato de o servidor ter contratado quatro seguros em um curto espaço de tempo, poucas semanas antes da mutilação.
Após receber atendimento médico e passar por cirurgia, Vanderley iniciou os procedimentos para receber as indenizações previstas nas apólices. O elevado valor solicitado e a proximidade entre a contratação dos seguros e o ocorrido despertaram a atenção dos sistemas de inteligência das seguradoras, que acionaram as autoridades para apuração do caso.
A Justiça concluiu que houve tentativa de fraude para obtenção de vantagem financeira indevida. Condenado por estelionato, o servidor recebeu pena de dois anos de prisão, posteriormente convertida em medidas restritivas de direitos. Ele deverá cumprir 720 horas de prestação de serviços à comunidade e pagar prestação pecuniária de R$ 7.590. A condenação já transitou em julgado e a execução da pena foi iniciada neste ano.
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