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Alagoinhas: Empreendedorismo étnico é discutido na segunda Live das Pretas

A iniciativa, que prevê a realização de 4 encontros virtuais, em todas as quartas-feiras do mês de julho, traz para o centro da pauta questões cruciais para o empoderamento das mulheres negras.

15/07/2021 15h01
Por: Equipe Alagonews Fonte: Prefeitura de Alagoinhas
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Empreendedorismo étnico foi o tema da segunda Live das Pretas, que aconteceu na noite de quarta-feira(15) e foi promovida pela Prefeitura de Alagoinhas, por meio das secretarias de Assistência Social (SEMAS), e de Cultura, Esporte e Turismo (SECET), em articulação com o Conselho Municipal de Desenvolvimento da Comunidade Negra e Afrodescendente e o Conselho Municipal da Mulher. A iniciativa, que prevê a realização de 4 encontros virtuais, em todas as quartas-feiras do mês de julho, traz para o centro da pauta questões cruciais para o empoderamento das mulheres negras.

Com mediação da Miss Alagoinhas e Miss Brasil Mesoamerica Juliana Person, que é enfermeira obstetra, maquiadora profissional e modelo independente, a live contou com as participações de Jaiane Santos (trancista, especialista em alongamento capilar), Solange Borges (proprietária do Culinária de Terreiro) e Tâmara Azevedo (gestora de políticas públicas de Turismo). Realizada no Espaço Colaborar, na Biblioteca Municipal Maria Feijó, o bate-papo foi transmitido pelas redes sociais da prefeitura.

“Falar de empreendedorismo é falar de nossas vidas em nossas mãos”, disse Tâmara Azevedo, que abriu o debate da noite. Além de gestora, Tâmara também é ativista e diretora da Agência Bahia de Turismo e Arte, especializada em turismo ético-afro-indígena. Ela fez referência ao movimento Black Money, onde pretos e pretas produzem e consumem produtos identitários. “Importante dizer que o empreendedorismo afro não se dá só na cidade, mas também no campo. Outras economias são possíveis, baseadas em nossos modos de vida, saberes e fazeres. O empreendedorismo étnico nos fortalece!”.

A segunda participação foi de Jaiane Santos. Segundo ela, “as tranças sempre fizeram parte da minha vida, minha mãe sempre fez esse penteado em mim. Em determinado momento, observei a necessidade de se ter um local específico para proporcionar esse serviço.” Jaiane disse que, quando iniciou seu empreendimento, muita gente considerou loucura, “pois não era muito comum na época, hoje já vemos muitos salões especializados na beleza negra”. A trancista também comentou sobre a importância da transição capilar, que é o processo de sair da química e assumir o cabelo natural. “Eu lido bastante com essas questões, pois muitas meninas nem conheciam o seu cabelo e é incrível a alegria que manifestam quando elas sentem seus fios originais”.

A terceira e última convidada da noite, a empreendedora Solange Borges ,abrilhantou ainda mais a live, trazendo um pouco da sua luta e sabedoria, com destaque para a culinária de terreiro, “oportunidade de mostrar às pessoas que os terreiros são locais de paz”. Solange se disse uma empreendedora nata, tendo sido empregada doméstica, manicure, cozinheira, militou nos movimentos estudantis e negro. Ela explicou que o culinária de terreiro está localizado em uma Agrovila Pinhão Manso, em Camaçari, onde se tem uma inserção na comunidade. “Não somos um restaurante tradicional, cozinhamos no fogão à lenha, de forma coletiva, como faziam nossos ancestrais, onde cozinhamos todos juntos”. Com a pandemia, Solange também começou a vender cursos online de grande sucesso. “A gente que é mulher negra estamos sempre nos reinventando, sobretudo por lidarmos sempre com a diversidade”

Com bastante desenvoltura, Juliana lembrou o público sobre as ações da Prefeitura durante a Campanha Julho das Pretas, que terá culminância no dia 25 de julho, quando é comemorado o Dia da Mulher Negra, inspirado no Dia da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha. “É dando lugar de fala que a gente pode colocar nossa voz na sociedade”. Juliana também compartilhou com o público um pouco da história de Tereza de Banguela, que representa a resistência das mulheres negras no Brasil, “tenho certeza de que ela deveria estar nos livros de História”.

O público teve participação ativa durante toda a noite, com registro de mais de 70 comentários na página oficial da Prefeitura de Alagoinhas no facebook. Patricia Santana Pinto disse que “ a cada live aumenta minha certeza da mulher negra que estou me tornando e é graças à Rede de Mulheres Negras da Bahia”. Já o perfil Nete Dan comentou a respeito da importância das tranças para o empoderamento das mulheres negras, “sem falar que por trás de um cabelo trançado existe uma história de superação e enfrentamento constante do preconceito”. Marismônica Gonsalves, por sua vez, declarou estar “amando as temáticas abordadas. Grupo de Mulheres do Jardim Petrolar se fazendo presente”.

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