
A poucos dias das celebrações em homenagem a Santo Antônio, padroeiro de Alagoinhas, o bispo da Diocese de Alagoinhas, Dom Francisco de Oliveira Vidal, tornou público um manifesto em que critica a decisão de funcionamento do comércio local no próximo sábado, 13 de junho, data do feriado municipal dedicado ao santo.
O pronunciamento foi realizado durante uma missa e deverá ser encaminhado às autoridades municipais e às entidades representativas do comércio. No texto, o bispo demonstra profunda insatisfação com a abertura das lojas em uma data que considera símbolo da identidade religiosa, cultural e histórica do município.
Segundo Dom Francisco, Santo Antônio é padroeiro da cidade desde 1816, quando foi criada a paróquia que deu origem à atual Catedral Diocesana. O religioso destacou que a presença da Igreja Católica em Alagoinhas ultrapassa dois séculos e que a tradição do feriado religioso faz parte da construção histórica do município.
“Há mais de 200 anos a Igreja Católica está nesta cidade. Respeitamos a sociedade plural, mas também exigimos respeito pela instituição que ela representa na história de Alagoinhas, da Bahia e do Brasil”, afirmou.
Durante a leitura do manifesto, o bispo lembrou que, em 2023, a Diocese já havia tentado dialogar com representantes do setor empresarial para preservar os feriados religiosos locais, especialmente as celebrações de Corpus Christi e Santo Antônio. Segundo ele, não houve avanço nas negociações.
Dom Francisco também citou que a Igreja optou por não realizar uma grande procissão pública de Corpus Christi neste ano, alegando prudência diante da realização da Marcha para Jesus, promovida por igrejas evangélicas. Segundo o bispo, a decisão foi tomada por respeito ao evento religioso dos evangélicos.
“Não seria ético da nossa parte realizar uma procissão no mesmo horário da manifestação dos irmãos evangélicos. Tivemos esse cuidado e essa sensibilidade”, declarou.
No manifesto, o bispo argumenta ainda que a manutenção do comércio aberto no dia do padroeiro demonstra falta de sensibilidade com a parcela da população que considera a data sagrada. Ele citou dados do último Censo, segundo os quais cerca de 57% dos moradores de Alagoinhas se declaram católicos.
Em um dos trechos mais contundentes do pronunciamento, Dom Francisco classificou a situação como motivo de indignação para a comunidade católica.
“Isso não tem outro nome senão falta de sensibilidade. Exigimos respeito”, afirmou.
A Diocese informou que encaminhará oficialmente o manifesto às entidades que representam o comércio local, reforçando sua posição em defesa da preservação do feriado religioso de Santo Antônio.
O funcionamento do comércio no próximo sábado tem gerado debates entre setores econômicos e religiosos da cidade. Enquanto representantes empresariais defendem a ampliação das atividades comerciais, a Igreja Católica sustenta que o feriado municipal deve ser respeitado integralmente, em consideração à tradição histórica e religiosa de Alagoinhas.
As celebrações do Dia de Santo Antônio acontecem nesta sexta-feira (13), reunindo milhares de fiéis na Catedral e em diversas comunidades católicas do município.
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