Cidades Alagoinhas
Presidente da CDL rebate bispo e diz que Dom Vidal precisa “baixar a bola”
Yuri Almeida afirmou que a Diocese não participou de uma reunião proposta por entidades empresariais, defendeu a abertura do comércio no Dia de Santo Antônio e criticou a postura adotada pelo bispo durante o impasse sobre o feriado municipal.
12/06/2026 13h54 Atualizada há 3 horas
Por: Redação Fonte: Alagonews
Foto: Reprodução

Às vésperas do feriado de Santo Antônio, celebrado neste sábado (13), a discussão sobre a abertura do comércio em Alagoinhas ganhou novos contornos após o presidente da CDL, Yuri Almeida, responder às críticas feitas pelo bispo da Diocese de Alagoinhas, Dom Francisco Vidal.

Em entrevista ao programa Jornal dos Municípios, da Rádio Digital FM, nesta quinta-feira (11), o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Alagoinhas, Yuri Almeida, respondeu às críticas feitas pelo bispo da Diocese de Alagoinhas, Dom Francisco Vidal. Na véspera, o líder religioso havia divulgado um manifesto público classificando a abertura das lojas no Dia de Santo Antônio como uma falta de respeito à tradição religiosa e histórica do município.

Durante a entrevista, Yuri afirmou que o comércio respeita a Igreja Católica e a importância de Santo Antônio para a cidade, mas criticou o tom adotado pelo líder religioso e declarou que entidades empresariais teriam convidado a Diocese para discutir o assunto.

“Estamos de portas abertas para conversar. O comércio chamou para conversar, mas o bispo preferiu partir para o ataque”, declarou.

O dirigente também rebateu a afirmação de que o comércio estaria desrespeitando a Igreja. Segundo ele, a abertura das lojas está prevista na Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre os sindicatos patronal e laboral, instrumento que possui respaldo legal para regulamentar o funcionamento do setor em feriados.

De acordo com Yuri, não houve qualquer acordo recente para abertura do comércio no Dia de Santo Antônio, já que a autorização já consta no documento firmado entre as categorias.

“O comércio tem respaldo jurídico para funcionar. Isso está previsto na convenção coletiva e segue todas as regras estabelecidas”, afirmou.

Críticas ao bispo

Ao comentar o manifesto divulgado por Dom Vidal, o presidente da CDL elevou o tom das críticas e afirmou que o bispo estaria adotando uma postura incompatível com o diálogo que a situação exige.

Em um dos momentos mais contundentes da entrevista, Yuri declarou que o bispo precisa “baixar a bola” e sentar à mesa para discutir soluções que contemplem tanto as manifestações religiosas quanto as necessidades econômicas da cidade.

“Se o bispo quiser fazer novos acertos, ele tem que sentar, baixar um pouco a bola. Quem quer conversar tem que sentar e conversar”, afirmou.

O dirigente também argumentou que o Brasil é um Estado laico e que decisões relacionadas ao funcionamento do comércio devem respeitar a legislação vigente e os acordos firmados entre empregadores e trabalhadores.

Yuri ainda defendeu que a discussão não deve ser tratada apenas sob o aspecto religioso, mas também econômico. Segundo ele, o comércio local enfrenta forte concorrência do mercado digital e precisa aproveitar datas estratégicas para manter a atividade econômica aquecida.

Proposta de conciliação

Durante a entrevista, Yuri revelou que havia a intenção de discutir alternativas que permitissem conciliar as celebrações religiosas com o funcionamento do comércio.

Segundo ele, uma das propostas seria estimular os comerciantes a fecharem temporariamente as portas durante a passagem de uma eventual procissão religiosa em frente aos estabelecimentos, como forma de respeito à tradição católica.

A ideia, de acordo com o presidente da CDL, teria sido sugerida pelo presidente do Sicomércio, Benedito Vieira, mas não chegou a ser debatida.

“O comércio sempre esteve disposto a conversar. Se a Igreja quisesse realizar suas manifestações, poderíamos encontrar caminhos para conciliar as atividades”, afirmou.

Com as manifestações públicas de ambos os lados, o debate sobre o equilíbrio entre tradição religiosa, atividade econômica e interesses da população chega ao ápice na véspera das celebrações de Santo Antônio, padroeiro de Alagoinhas.

Nota da Redação: O Alagonews procurou a Diocese de Alagoinhas para comentar as declarações feitas pelo presidente da CDL, Yuri Almeida, durante entrevista à Rádio Digital FM. Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta. Caso haja manifestação oficial, o conteúdo será acrescentado à matéria.